Valongo, mercado do (ver Pretos Novos)

O mercado do Valongo, no Rio Janeiro, era o grande entreposto de escravos para a Corte e as províncias do Sudeste brasileiro (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo). Criado em meados do século XVIII, funcionou na rua do mesmo nome (hoje rua Camerino) até 1831, quando foi aprovado um projeto de lei que abolia formalmente o tráfico de escravos africanos para o Brasil.

Chegado o navio negreiro da África, os traficantes providenciavam a licença para o desembarque dos escravos, o seu registro e pagamento dos direitos sobre sua entrada no país. Os escravizados eram, então, conduzidos para o mercado do Valongo onde havia uns 50 estabelecimentos tendo, cada um deles, de 300 a 400 cativos.

Os escravos eram lavados e, em geral, vacinados contra “bexigas” (varíola). O governo imperial exigia que todo escravo fosse vacinado na chegada. A vacina era gratuita e sua aplicação valorizava a mercadoria. Como os negros chegavam muito magros e debilitados, os mercadores tinham a preocupação de alimentá-los. A prática da “engorda” era estratégia para aumentar o valor da venda. Forneciam duas refeições ao dia, constituída de pirão, angu de fubá, carne-seca, bacon e feijão preto.  Davam-lhes também frutas frescas, como laranjas e bananas, para evitar o escorbuto ou “mal-de-luanda” que o negro trazia do navio negreiro.

As vendas podiam ser por “peça” (individual) ou por lote de escravos. Os cativos tinham os cabelos raspados e apenas um pedaço de pano para cobrir o corpo ou nem isso sendo exibidos completamente nus para uma “melhor inspeção” dos compradores. Estes inspecionavam meticulosamente as “´peças” apalpando músculos, seios, sexo, dentes à vista de todos.

Mercado de Valongo

Mercado da rua do Valongo, aquarela de Jean-Baptiste Debret, 1835.

Compartilhe =]

Compartilhar no Facebook Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Pocket Compartilhar no Twitter Compartilhar no LinkedIn