Quebra-quilos, revolta do

Insurreição ocorrida na região Nordeste do Brasil entre 1872 e 1877, contra a adoção, pelo governo imperial, do sistema métrico. Havia, então, no Brasil, uma grande variedade de pesos e medidas tais como jardas, polegadas, arrobas, braça, légua, feixe, grão, onça, quintal etc. Em 1862 foi aprovada uma lei determinando que o sistema de pesos e medidas em uso seria substituído em todo Império pelo sistema métrico francês referente a medida, capacidade e peso. O novo sistema só entrou em vigor em 1872.

A revolta contra o novo sistema de pesos e medidas começou na Paraíba, no povoado de Fagundes, em Campina Grande num dia de feira. Os rebeldes quebraram as “medidas” (caixas de madeira de 1 e 5 litros de capacidade) fornecidas pela prefeitura e usadas pelos feirantes. O movimento ganhou adesão popular e os rebeldes invadiram a cadeia da cidade e libertaram os presos, incendiaram o cartório local e os arquivos da prefeitura.

A revolta contou com a participação de escravos liderados pelo negro Manuel do Carmo que transformou o protesto em movimento libertário exigindo a emancipação. A eles aliou-se o negro Firmino, temido pelas autoridades locais.

O povo de outras setenta localidades se rebelou e o movimento se alastrou pela Paraíba, Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte. A insatisfação popular cresceu com a cobrança de taxas para o aluguel e aferição dos novos padrões do sistema métrico – balanças, pesos e vasilha de medidas. Outra razão foi a criação do “imposto do chão” cobrado dos feirantes que expunham sua mercadoria no chão da feira.

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