Democracia racial

Democracia racial designa a ideologia que considera a sociedade brasileira desprovida de qualquer tipo de barreira racial, preconceito ou discriminação, afirmando que existe igualdade de oportunidades entre negros e brancos.

Esse pensamento, construído ao longo da história do Brasil, ganhou força no pós-abolição (1888) servindo para mascarar as contradições sociais e a marginalização da população negra. A igualdade civil garantida pela Constituição de 1891 não funcionava na prática pois, ao proibir o direito de voto aos analfabetos, negava os direitos políticos à população negra que, em sua maioria, era analfabeta. A população negra continuou em desvantagem e ligada por laços de dependência e dominação à elite tradicional.

O mito da democracia racial fundamentava-se, também, no elevado grau de miscigenação vista como “prova” da tolerância étnica e da ausência de preconceito racial na sociedade brasileira.

A obra Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, lançada em 1933, consolidou o mito da democracia racial no imaginário brasileiro. Segundo este autor, a formação da sociedade brasileira foi um processo adaptativo e sem grandes conflitos entre brancos, negros e indígenas.

Durante a ditadura militar (1964-1985), o mito da democracia racial foi mais uma vez enfatizado com o discurso de que a “ausência” de preconceito e racismo constituía o “maior motivo de orgulho nacional”. Para o governo militar, falar em discriminação era introduzir ideias “subversivas” de incitação de ódio ou racismo e, portanto, uma ameaça à ordem e paz social e à segurança nacional. Por isso, movimentos negros foram vigiados, reprimidos e perseguidos.

O mito da democracia racial mascarou por séculos uma realidade social altamente racista, excludente, conflitante e discriminatória, além de legitimar a desigualdade social no Brasil. Ainda hoje a ideia da existência de uma democracia racial no país é largamente disseminada dificultando para que negros, brancos e mestiços identifiquem e combatam as tensões raciais presentes no cotidiano disfarçados sob a forma de estereótipos, piadas e ditos populares ou escancarados com ofensas e discriminação.

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