Servo da gleba

O termo “servo” deriva do latim, servus, “escravo” e a origem dessa palavra, à primeira vista, causa confusão. As palavras têm história e elas podem mudar de sentido ao longo do tempo e das regiões. Os romanos antigos chamavam os escravos de servus, mas isso não significa que o servo medieval fosse escravo.

O servo medieval origina-se dos coloni (“colonos”), agricultores que, no Império Romano, trabalhavam como meeiros pagando aos proprietários uma parte de suas safras em troca do uso de suas terras. Esse sistema de trabalho e exploração da terra chama-se colonato.

Entre os séculos V e VII, com as agitações sociais e as invasões germânicas, a situação dos colonos degradou-se, envolvidos em dívidas e cada vez mais dependentes dos proprietários. Estes, por sua vez, abandonaram suas mansões nas cidades (o maior alvo dos invasores e saqueadores) e se refugiaram em seus domínios rurais (as villas). Ali organizam, eles próprios, a defesa de sua propriedade.

Os colonos que trabalhavam nessas villas passaram a ficar vinculados à terra que cultivavam e ao dono a quem prestavam todo serviço em troca de proteção. O vínculo à terra era tão forte que, caso a propriedade mudasse de dono, o colono era forçado a trabalhar para o novo proprietário. Assim, com o tempo, o status legal dos colonos foi se assemelhando ao dos servus (escravo) e este termo acabou mudando de significado para o conceito atual de servo.

O servo era o camponês subordinado ao senhor não sendo, contudo, escravo dele. Tinha obrigações, cultivava a terra pertencente ao senhor (a “reserva senhorial”), prestava serviços ao senhor (trabalhos artesanais, domésticos etc) e pagava para usar moinho, forno e outras instalações senhoriais. Na Idade Média não existia o conceito de trabalho assalariado. Também não existia uma legislação escrita sobre as obrigações dos servos, elas resultavam do costume, da tradição.

A condição do servo era hereditária (seu filho já nascia servo). Era proibido de deixar a terra que cultivava, mas, em compensação, não podia ser expulso dela, situação que, em tempo de guerras e ataques, era uma segurança para sobrevivência. O servo possuía uma família, uma casa, um campo para cultivar e ferramentas para trabalhar. Ficava desobrigado em relação ao seu senhor logo que pagasse as taxas devidas.

A condição do escravo era muito diferente. Ele estava inteiramente submetido ao poder de seu proprietário que podia castigá-lo impunemente. Não possuía recurso algum, nem os frutos de seu trabalho, não podia escolher seu (sua) cônjuge, seus filhos não lhe pertenciam e, portanto, estava impedido de constituir família. O escravo estava rebaixado ao nível de um animal, considerado apenas parte dos bens do patrimônio senhorial.

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