Raça (ver Darwinismo Social e Etnia)

A origem da palavra “raça” é incerta. As diferenças físicas entre indivíduos e grupos foi observada desde a Antiguidade, porém com classificações diferentes de acordo com a sociedade. Os antigos egípcios, por exemplo, dividiam a humanidade em egípcios, asiáticos, líbios e núbios tendo por critério de divisão as identidades tribais e a cor de pele. Roma dava mais importância às filiações familiares ou tribais do que à aparência física.

Foi somente nos séculos XV e XVI, no contexto das conquistas e colonização europeia, que o termo “raça” começou a ser usado. À medida que os europeus se deparavam com pessoas de diferentes partes do mundo, começaram a especular sobre as diferenças físicas, sociais e culturais entre os grupos humanos.

No século XVIII, os iluministas cunharam as primeiras doutrinas racialistas, ou seja, para o estudo das diferentes “raças humanas”. O racialismo iluminista definia raça como um grupo humano cujos membros possuíam características comuns. Diferenciavam as “raças” por critérios valorativos e evolutivos: civilizado/selvagem, moderno/atrasado, nação/tribo etc. Essas distinções, que funcionam ainda hoje, preparam a base para a discriminação contra o negro.

Foi no século XIX que o significado da palavra “raça” tornou-se um conceito biológico e possível de ser medido, comparado, classificado. Afirmava-se, então, que as raças eram diferenciadas pela cor da pele, tipo de rosto, formato e tamanho do crânio, textura e cor do cabelo –diferenças que, diziam, interferiam no caráter moral e na inteligência.

Essa concepção biológica migrou para as ciências sociais e humanas. Sob influência da teoria evolucionista de Charles Darwin, os cientistas do final do século XIX afirmam que, além das diferenças entre as raças humanas, existe uma hierarquia entre elas sendo as raças brancas superiores às raças amarelas e essas às raças negras. E, ainda, que a tendência era as “raças superiores” submeterem e substituírem as “inferiores”.

Essa noção de raça alimentou ao racismo culminando com perseguições e execuções na Alemanha nazista, a políticas de segregação racial na África do Sul (apartheid) e nos Estados Unidos, entre outros exemplos.

Foi somente no final do século XX, que os biólogos aderiram à hipótese de que não existem raças na espécie humana, defendendo que somos todos fisiologicamente iguais. Hoje, caiu em desuso entre a comunidade científica a classificação de raças em negros, brancos, asiáticos e indígenas. O conceito biológico de raça é melhor aplicado aos animais, como gatos, cachorros e cavalos. A maioria dos biólogos, antropólogos e sociólogos preferem critérios mais específicos como etnia para falar em diferenças entre grupos humanos.

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