Escravo de ganho, negro de ganho

Escravo de ganho ou negro de ganho era o nome dado, no Brasil, aos escravos urbanos que exerciam um trabalho e repassava parte de seus ganhos a seus donos. Este estipulava uma cota mínima em dinheiro a lhe ser entregue pelo escravo como resultado de seu trabalho diário. O que ultrapassasse a cota estabelecida pertencia ao escravo. Mas se o montante não fosse alcançado, o escravo poderia ser castigado.

Havia diversos tipos de atividades dependendo da habilidade do escravo: vendedor ambulante, transportador de carga, carregador de cadeirinhas, barbeiro, marinheiro, pescador, ferreiro, artesão, pedreiro etc. As escravas de ganho eram, na sua maioria, quitandeiras (vendedoras de doces e alimentos); eram elas que dominavam o pequeno comércio de rua de cidades como o Rio de Janeiro e Salvador.

Para exercer esse trabalho, o escravo de ganho gozava de autonomia e liberdade de locomoção. Ele podia, inclusive, morar em uma casa qualquer na cidade e só ia à casa de seu senhor para pagar diária ou semanalmente, a remuneração estipulada.

A parcela destinada ao escravo poderia ser utilizada para alimentação, vestuário e, até mesmo, para a compra de sua alforria. Depois de libertos, a tendência dos antigos escravos de ganho era se estabelecer em seus pequenos negócios, trabalhando por conta própria.

Essa forma de exploração do trabalho escravo atendia aos interesses dos dois lados: os  escravos viam uma possibilidade, mesmo que aparente, de liberdade, enquanto os senhores se livravam de gastos com alimentação, vestuário e fiscalização de seus escravos, além de garantir uma renda.

No Rio de Janeiro, o proprietário que fosse colocar seu escravo ao ganho deveria antes obter uma autorização junto à Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Caso o escravo de ganho não tivesse a licença, esse era recolhido ao Depósito Público e o senhor deveria pagar uma multa.

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